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Ricardo Pereira “Adorava voltar a ser pai”
Como é que está a ser dar vida a este Vicente?
Está a ser um prazer. As cenas que para mim são mais difíceis de fazer como Vicente são aquelas que tenho de convencer as pessoas de que não sou nada daquilo. Tenho de me esquecer quais são os objetivos desta personagem, da sede de poder que ele tem, e viver a cena como ela é, de verdade: emocionares-te, sofreres com as dores dos outros, partilhares um abraço, partilhares um conselho, e fazer acreditar que estás ali sem qualquer segunda intenção.
Como é que se faz essa organização mental?
Tens de ser muito organizado, ainda mais neste tipo de personagem, porque ele é muito do detalhe. Quando estás a fazer uma cena, tens de ligar ao detalhe todo. A ideia é: “Não vamos preparar a maldade, vamos deixar fluir”. E acho que isso, pelo texto em si e pelas ações dele, já tem vindo a criar no público uma vontade de dizer “vou apanhar este tipo e vou-lhe bater”, porque ele consegue ser tão cínico, tão hipócrita, tão malandro, que é irritante! Portanto, está a ser um desafio muito giro, mas muito intenso.
É aqui que entra a Psicologia? Sei que tirou este curso…
Entra a Psicologia, entra o treinar, entra a alimentação, entra o dormir…
Continua a considerar-se um workaholic?
Outro dia ouvi uma expressão bem mais interessante: worklover. Por isso, agora mudei para um worklover, porque acho que o workaholic dá um lado mais negativo. Eu sou superempenhado no meu trabalho, amo a minha profissão e naturalmente o worklover faz todo o sentido. Eu entrego-me de corpo e alma, mas gostei mais dessa expressão, porque acho muito importante respirar entre um trabalho e outro.
A bolsa de oxigénio entre trabalhos é a família?
Sim, é a família, é viajar, e às vezes é não fazer nada. Esta profissão tem trabalhos muito intensos, nós vivemos outras vidas, e estas outras vidas têm de ser vividas intensamente e profundamente. Essas criações levam muito de nós. Trabalhamos com o nosso corpo, com algumas experiências, com algumas observações, com muito estudo, com muitos exemplos, e acaba por ser uma combinação de coisas que nos desgasta muito.
Gostava de voltar a ser pai?
Eu adorava, sempre disse isso. Sou filho único, mas tenho muitos primos direitos, ou seja, em minha casa sempre tive muita gente. Mas irmão é irmão, não é? E a Francisca dizia sempre isso, porque eles são quatro e é espetacular. Eu sempre disse que queria ter uma família grande e já temos uma família grande. Mais filhos, acho que sempre quis [risos], mas tudo tem o seu tempo.
Leia esta entrevista na íntegra na sua NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas.
Texto: ANDREIA VALENTE; Fotos: Nuno Moreira
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