A Processar por Catarina Rito – Afinal, para que servem as semanas de moda?

Na crónica de hoje, Catarina Rito explica-nos a importância das plataformas de moda com o exemplo específico do que acontece em Portugal.

A ignorância faz com que se tenha uma percepção da realidade distorcida, incompleta, desajustada. Podemos criticar, podemos desvalorizar, mas as plataformas de moda são iniciativas importantes, não necessariamente fundamentais ao sucesso económico de uma marca, mas favorecem o seu reconhecimento, fazem saber que existem, e…podem ajudar na engrenagem comercial.
Duas vezes por ano a moda é notícia. O sistema da moda dita, até ver, que duas vezes por ano há semanas dedicadas integralmente à moda, com propostas para quase todos os gostos e com alguma diversidade de género, mas assumidamente a pensar no consumidor feminino e masculino. Obviamente, que existem plataformas de moda mais alternativas, disruptivas, mas não nestas edições “mainstream”. Para muitos, estas plataformas são perda de tempo e dinheiro, mais dinheiro do que tempo, que atraem pessoas estranhas e “ridículas”.

Primeiro, para quem pensa assim ou pior, não há espaço nem tempo a perder; Segundo, as semanas de moda (nem sempre são semanas completas) são importantes como momento finalizador de um processo que dura meses a realizar, no entanto, a importância do conceito de desfile tem-se perdido no tempo, porque o sector mudou muito na forma relacional com o consumidor. O conceito de desfile (com pouco mais de cem anos) quando surgiu tinha a função de mostrar às clientes as novidades de cada “Maison” e estas encomendarem e comprarem. Eram iniciativas privadas, para clientes particulares e grandes armazéns. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e com a “democratização” (a moda não é democrática, mas facilita o termo numa ideia de acessibilidade ou disponibilidade a todos ou a muitos) da moda, o crescimento do pronto-a-vestir, a atração entre a moda e a comunicação social, a relação entre marca e a figura pública, levam o setor a promover, em datas específicas, iniciativas que podem ser frequentadas pelo público em geral.

No caso de Portugal, existe a ModaLisboa, plataforma pioneira num determinado formato de mostra da moda. Antes da ModaLisboa existiram outras iniciativas, mas mais focadas na indústria. Não esquecer que até há pouco tempo havia também o Portugal Fashion, que por razões estruturais teve de fazer um interregno do qual se espera um regresso para breve! Para muitos a ModaLisboa, ou qualquer outra plataforma de moda, é uma perda de dinheiro, mas não o é, porque a moda para ter massa crítica tem de ser activa, tem de criar dinâmica junto do público. Podem-se criticar os formatos, as escolhas programáticas, os horários, as localizações, etc, etc, etc. Criticar e não dar soluções mostra pobreza intelectual. Por vezes na crítica encontramos novas soluções, novas engrenagens criativas. E aproveito para esclarecer o seguinte: qualquer projecto de moda atrai pessoas que gostam, que percebem, que não sabem nada sobre o setor, mas muito pior, atrai sempre uma pobre comunidade que acha que sabe e que percebe!!!!!

Notícia www.vip.pt

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