Escola pública que lidera ‘ranking’ com melhor média de exames proibiu telemóveis em janeiro
A Escola Básica e Secundária Ferreira da Silva, que em 2024 foi o estabelecimento de ensino público com melhor média nos exames nacionais, implementou em janeiro a proibição do uso de telemóveis em todo o recinto.

Segundo revela o diretor dessa escola do concelho de Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, o uso dos telemóveis já era proibido na sala de aula, quando não solicitado por um professor para efeitos de trabalho letivo, mas desde 6 de janeiro a medida passou a aplicar-se também aos momentos de pausa.
“Nos últimos anos íamos sentindo que os alunos se alheavam muito nos intervalos, sempre agarrados aos telemóveis, e que não havia interação. Passávamos nos corredores e havia silêncio, porque, embora cheios de alunos, eles estavam todos ao telemóvel”, recorda António Almeida Figueiredo.
A nova estratégia começou por gerar contestação entre os jovens, mas o diretor afirma que, após “um ou dois dias de ‘desmame'” no período inicial, os alunos adaptaram-se com facilidade às novas regras, até porque a escola aumentou a sua oferta de alternativas lúdicas, colocando à disposição dos estudantes jogos didáticos e de tabuleiro, baralhos de cartas e duas mesas de ping-pong.
Mesmo que a proibição não venha a ter efeitos ao nível estrito das notas académicas, nos intervalos o objetivo já se concretizou: “Há muito barulho, muita ação — os alunos ganharam vida”.
Elisabete Barnabé, presidente da Associação de Pais da Escola Ferreira da Silva, afirma que alguns encarregados de educação se opuseram à mudança, mas garante que a maioria acatou bem o que, na generalidade, consideraram “uma medida corajosa”.
Maria Antunes e Miguel Costa, ambos alunos do 12.º ano, fazem um balanço positivo destes primeiros três meses. Ela, do curso de Ciências e Tecnologias, defende que a mudança levou os seus colegas a “conviverem muito mais” e criou na escola “um ambiente melhor”. Ele, de Ciências Socioeconómicas, admite que, apesar do seu próprio “choque” quando a mudança foi anunciada, se viu a aceitá-la “pouco a pouco”.
“Antes havia aquele impulso de pegar no telefone e ver uma coisa rápida, numa aula ou num corredor, ou fazer uma chamada. Agora vou lanchar ao bufete, falo com os meus amigos, convivemos um bocado, às vezes jogámos às cartas e é isto. Conviver! As pessoas começaram a conhecer-se mais cara a cara — não por telemóvel”, explica.
*** Alexandra Couto (texto), André Sá (vídeo) e José Coelho (foto), da agência Lusa ***
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By Impala News / Lusa
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