Juros dos depósitos a prazo caem em fevereiro pelo 14.º mês consecutivo

A remuneração dos novos depósitos a prazo dos particulares caiu em fevereiro pelo 14.º mês consecutivo, para 1,83%, atingindo o valor mais baixo desde julho de 2023, divulgou hoje o Banco de Portugal.

Juros dos depósitos a prazo caem em fevereiro pelo 14.º mês consecutivo

Segundo dados do supervisor bancário, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares recuou em fevereiro 0,15 pontos percentuais (p.p.) face a janeiro, contra 2,81% no mesmo mês do ano passado.

Esta é a remuneração mais baixa dos depósitos a prazo pelos bancos portugueses desde julho de 2023 (1,81%), depois de em dezembro do mesmo ano ter atingido um máximo de 12 anos de 3,08%.

Desde aí que esta taxa tem recuado de forma consecutiva.

No final de fevereiro, o montante de novos depósitos a prazo de particulares atingiu 11.679 milhões de euros, recuando 1.408 milhões de euros em cadeia, mas 4.131 milhões de euros acima do valor homólogo.

Por prazos, a taxa de juro média dos novos depósitos com prazo até um ano baixou 0,15 p.p. entre janeiro e fevereiro, para 1,84%. Apesar da redução, esta “continuou a ser a classe de prazo com a remuneração média mais elevada e representou 97% dos novos depósitos em fevereiro”.

Já a remuneração média dos novos depósitos a mais de dois anos baixou em cadeia de 1,46% para 1,19%, ao passo que nos depósitos entre um e dois anos a taxa de juro média subiu de 1,63% para 1,58%.

No quadro europeu, a média também registou uma queda equivalente de 0,13 p.p. em fevereiro, fixando-se em 2,21%.

Portugal manteve-se na quinta posição entre os países com a taxa de juro média mais baixa, atrás de Chipre, Grécia, Eslovénia e Croácia.

Junto das empresas, a remuneração média para depósitos a prazo passou de 2,24% em janeiro, para 2,29% em fevereiro, tendo os novos depósitos somado 8.729 milhões de euros (menos 447 milhões de euros em cadeia, mas mais 3.326 milhões de euros em termos homólogos).

Em 12 de março, no Fórum Banca, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, criticou os bancos pelos juros baixos pagos nos depósitos dos clientes.

“Não é muito compreensível que haja uma diferença significativa entre a remuneração dos depósitos da banca no banco central e a remuneração dos depósitos que a banca faz aos seus clientes”, disse Mário Centeno na sua intervenção na conferência.

Segundo o governador, a banca tem a “responsabilidade social de gerir as poupanças dos portugueses” e deve respeitar esse contrato social também na remuneração dos depósitos, defendendo que esta reflita na remuneração dos depósitos aquilo que é “a remuneração que a banca obtém nos bancos centrais pelos depósitos que lá tem”.

A Lusa questionou os principais bancos sobre quanto ganharam em 2024 com o dinheiro depositado nos bancos centrais, mas não responderam.

Também o Banco de Portugal foi questionado sobre que medidas poderia tomar para levar os bancos a aumentar os juros dos depósitos e não respondeu.

JO (IM) // JNM

By Impala News / Lusa

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