Junta militar de Myanmar rejeita trégua anunciada por aliança rebelde após sismo
O chefe da junta militar de Myanmar (antiga Birmânia) rejeitou uma trégua anunciada pela aliança rebelde birmanesa em resposta ao sismo de sexta-feira, dizendo que os militares iriam continuar as suas “operações defensivas”

“Sabemos que alguns grupos étnicos armados não estão atualmente a combater, mas estão a organizar-se e a treinar para ataques, pelo que o exército continuará as suas operações defensivas necessárias”, disse Min Aung Hlaing, na terça-feira, na capital, Naypyidaw, num discurso citado hoje pelos meios de comunicação oficiais.
A aliança composta pelo Exército da Aliança Democrática Nacional, o Exército de Libertação Nacional de Taang e o Exército Arakan anunciou na terça-feira um cessar-fogo unilateral e temporário.
De acordo com um comunicado, o cessar-fogo, com a duração de pelo menos um mês, visa facilitar e apoiar a “resposta humanitária internacional” ao sismo que matou pelo menos 2.700 pessoas em todo o país.
Porém não está previsto que os rebeldes abandonem as suas posições defensivas durante as tréguas.
“O terramoto causou uma destruição generalizada em muitas zonas, incluindo as regiões de Mandalay, Sagaing, Shan, Bago e Naipyido”, segundo a Aliança das Três Irmandades, que espera “sinceramente que as equipas de voluntários estrangeiros e locais possam levar a cabo as suas operações em paz”.
A aliança apelou ainda a “um aumento dos esforços humanitários”.
“Com isto em mente, não nos envolveremos em qualquer combate com as forças birmanesas, exceto em legítima defesa, e, por conseguinte, declaramos um cessar-fogo humanitário unilateral para garantir que as operações de salvamento sejam devidamente conduzidas”, lê-se no comunicado.
A aliança lançou a chamada ‘Operação 1027’ contra o exército de Myanmar em outubro de 2023, no nordeste do país, mas que mais tarde se espalhou para outras áreas, resultando em sérias derrotas para as forças da junta.
O Governo de Unidade Nacional (NUG, na sigla em inglês), que controla partes da Birmânia, declarou no sábado uma trégua de duas semanas para facilitar a entrega de ajuda humanitária, mas sublinhou que as forças da junta continuam a atacar as zonas rebeldes.
O NUG, composto por políticos depostos no golpe de Estado de 2021, bem como por ativistas e líderes étnicos, afirmou esta semana que os militares realizaram pelo menos 11 ataques aéreos em vários pontos do país desde o sismo.
A ONU disse na terça-feira que espera que as autoridades birmanesas não continuem com os bombardeamentos internos e alertou que a recuperação do país do sismo depende do fim da guerra civil.
Kanni Wignaraja, subsecretário-geral da ONU e diretor regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para a Ásia e o Pacífico, afirmou que “este é um momento em que a comunidade internacional deve intervir, comunicar com as autoridades e trabalhar com elas para mediar uma solução”.
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By Impala News / Lusa
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